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Dr. Rui Sampaio, psicólogo, médico psiquiatra e hipnoterapeuta Foto: AP

Ao contrário do que muitos dizem, depressão não significa apenas tristeza. A tristeza é um sentimento experimentado por todas as pessoas em algum momento da vida, que normalmente dura horas ou poucos dias. A depressão vai muito além, pois ela invade o individuo afetando não só o seu humor, mas também o seu comportamento e pensamento.

O que se observa na prática clínica é que a depressão pode apresentar uma multiplicidade de sintomas, entre eles, apatia, alteração de memória ou esquecimentos, diminuição da capacidade de concentração, cansaço físico, fadiga mental, pensamentos negativistas, diminuição de libido, baixa autoestima, ansiedade, irritabilidade, crises de choro sem motivo aparente, anedonia (deixa de fazer coisas que gostava) e em geral problemas de sono e diminuição do apetite, da auto-estima e da autoconfiança. Além disso, a depressão pode permanecer por semanas, meses e até anos, comprometendo muitas vezes a vida pessoal e profissional das pessoas.

Segundo o Dr. Rui Sampaio, a pessoa depressiva começa a ficar desanimada com a vida. “As pessoas com depressão começam a ficar sem interesse na vida e nas atividades, além do negativismo acentuado. Quando os sintomas citados acima permanecem por mais de duas semanas, pode ser um indicativo de quadro depressivo”, disse.

Quando se fala em depressão, pensa-se apenas em um tipo de doença, porém, existem vários tipos de depressão, além de vários tipos de classificações, como pode exemplo, leve, moderada e grave. Na depressão leve ou na moderada o paciente vai perdendo gradativamente a capacidade e o interesse em desempenhar as suas atividades de rotina e sociais. Já na depressão grave surgem vários outros sintomas, como perda da auto-estima, idéias de desvalia ou culpa, além da possibilidade de surgir um episódio depressivo grave com sintomas psicóticos de alucinações, idéias delirantes e com a impossibilidade de manter as atividades de trabalho e sociais.

Há vários tipos de tratamento, porém os medicamentos antidepressivos quando surgiram, apesar de eficazes, produziam muitos eventos adversos, o que dificultava o tratamento. Atualmente, várias opções de antidepressivos com características diferentes estão disponíveis no mercado. Além dos medicamentos, o tratamento também pode ser somado ao uso da psicoterapia, incluindo a hipnose (hipnoterapia). A hipnose auxilia em todos os tipos de depressão, seja ela reativa, distimia, unipolar, bipolar, endógena, atípica, sazonal e pós-parto, o que muda é o enfoque e a maneira como o paciente é tratado. A hipnose possibilita diferentes articulações do pensar, o que pode proporcionar mudanças específicas.

O paciente precisa transformar suas formas de perceber a si mesmo, de se relacionar com o meio, com as pessoas e com o mundo. ”A hipnose pode ajudar em qualquer tipo de depressão, o que muda é o enfoque e a forma de tratamento de cada caso. Na grave precisamos trabalhar a auto estima, por isso usamos a auto imagem e o reforço por sugestões positivas. Já na leve e moderada pode-se usar a hipnoanálise, buscando os por quês e as causas da depressão. Às vezes pode ser usada a regressão de memória”, explicou. Cada caso é um caso e deve ser avaliado individualmente. Por isso a importância de uma boa anamnese (avaliação da pessoa) por um profissional de saúde habilitado, no caso da depressão, psiquiatra ou psicólogo. Nesses casos, a pessoa deve recorrer à ajuda por um desses profissionais.

(Publicado no jornal “Agora Paraná”)

Cuide-se!

DA FRANCE PRESSE

Compartilhar uma sonora gargalhada com amigos pode diminuir a dor graças a substâncias químicas similares aos opiáceos, que invadem o cérebro quando rimos, revelou um estudo britânico. Ele será publicado na edição de quarta-feira (14) do periódico “Proceedings of the Royal Society B”, da Academia de Ciências da Reino Unido.

Cientistas fizeram experimentos em laboratório nos quais os voluntários assistiam, ora a clipes de comédia das séries “Mr. Bean” ou “Friends”, ora a trechos de programas não humorísticos, como uma partida de golfe ou programas sobre a vida selvagem, enquanto sua resistência à dor era monitorada.

Em outro teste, realizado no Festival Fringe de Edimburgo –evento anual que inclui apresentações de comédia, dança, teatro e música–, voluntários assistiram ora a um número de comédia stand-up, ora a um drama teatral.

Em condições de laboratório, a dor foi provocada por gelo em contato com o braço dos voluntários e por um medidor de pressão que comprimiu o punho até o limite do suportável.

No Festival Fringe, foi pediu aos voluntários que se inclinassem contra um muro com as pernas em ângulo reto, como se fossem se sentar em uma cadeira de encosto reto, antes e imediatamente após o show, para ver se o riso havia ajudado a reduzir a dor.

De acordo com o estudo, apenas 15 minutos de risadas aumentaram o nível de tolerância à dor em cerca de 10%.

Nas experiências laboratoriais, a programação não humorística não demonstrou ter qualquer efeito de aliviar a dor, nem assistir a uma peça dramática no Festival Fringe.

O estudo demonstrou, no entanto, duas importantes distinções.

O único riso que funcionou foi aquele relaxado, não forçado, que faz os olhos apertarem, ao contrário do riso nervoso ou polido.

Este tipo de riso é muito mais provável de acontecer quando se está na companhia de outras pessoas do que sozinho.

“Poucas pesquisas têm sido feitas sobre por que rimos e qual o papel do riso na sociedade”, afirmou Robin Dunbar, diretor do Instituto de Antropologia Social e Cultural da Universidade de Oxford.

“Usando microfones, conseguimos gravar cada um dos participantes e descobrimos que em um show cômico eles riram por cerca de um terço do tempo e sua tolerância à dor aumentou como consequência”, acrescentou.

Esta proteção derivou-se, aparentemente, da endorfina, uma substância química complexa que ajuda a transmitir mensagens entre os neurônios, mas também atenua os sinais de dor física e estresse psicológico.

As endorfinas são um produto famoso dos exercícios físicos. Elas ajudam a gerar o bem-estar que se segue à prática de atividades como corrida, natação, remo, ioga, etc.

No caso do riso, os cientistas acreditam que a liberação da substância ocorra devido a um esforço muscular repetido e involuntário que se dá quando a expiração não é seguida da tomada de fôlego. Exalar nos deixa exaustos e, consequentemente, leva à liberação das endorfinas.

Acredita-se que grandes símios também sejam capazes de rir mas, ao contrário dos humanos, eles inspiram tão bem quanto expiram quando riem.

Os cientistas acreditam que os experimentos ajudarão a compreender o mecanismo psicológico e social de como o riso é gerado.

O grupo parece vital no desencadeamento do tipo certo de riso liberador de endorfina, afirmaram.

Estudos anteriores se concentraram mais em por que as pessoas riem e não em como elas o fazem.

Uma hipótese é que o riso ajudaria a transmitir sinais de acasalamento ou de vínculos entre os indivíduos.

Outra ideia é que, em um grupo, o riso promove a cooperação social e a identidade coletiva. É, portanto, uma ferramenta evolutiva que ajuda a sobrevivência.

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